sábado, 12 de setembro de 2009

I'll go crazy if I don't go crazy tonight

E eu me pergunto que sensação estranha é essa. Sei bem que o uso da conjunção e no início do presente texto não faz muito sentido. Aparentemente – ou formalmente, como preferir – não há indícios de qualquer oração que preceda a primeira oração (bem sei que tal declaração é óbvia: se houvesse uma oração que precedesse a primeira, esta não seria a primeira...). Portanto pode-se (e deve-se) desconfiar da idéia não concretizada de adição que o uso da conjunção e insinua. Mas isso não ilustra nada, a não ser uma lição de gramática, porque o que quer que seja que preceda essa primeira oração não se encontra traduzido em palavras.

O que importa, na verdade, é que a sensação persiste. E fico com a impressão de que talvez seja assim que os loucos se sintam logo antes de ficarem loucos. Tal possibilidade me aflige. Penso que deveria confessar isso a alguém e tentar explicar-lhe o porquê de me encontrar a caminho da demência. Mas ao contemplar tal atitude, logo desisto de assim proceder. Como explicar uma situação como essa a outrem? Temo que qualquer tipo de compreensão alheia, se tal cenário é possível, implique conseqüências desastrosas. Se a única maneira de compreender porque um louco é louco, ou por quais razões um louco passa a ser louco, é ficar louco também, desisto aqui da idéia de confessar os motivos por me encontrar em tal estado.

Pra ser bem sincera, nem sei se acredito na possibilidade de formular uma explicação coerente e inteligível. Por isso, acho muito mais prático parar por aqui. Devo dizer que me apraz muito mais voltar a pensar em espelhos e pontos-de-vista. Mas isso é assunto para um outro post. A não ser que fique louca de vez e que, em meu novo mundo, um blog seja desnecessário.


(é tudo culpa dessa porcaria de livro. o Oliveira tá enlouquecendo, sabe. e eu entendo por que ele tá enlouquecendo! e como não enlouquecer no meio do caminho se eu entendo por que ele tá enlouquecendo?)

domingo, 28 de junho de 2009

Sobre filhos e pais

Talvez um dia eu acorde e, ao pensar nos filhos que eu acabei por ter, descubra que decepções e expectativas goes both ways.

sábado, 27 de junho de 2009

Sobre pais e filhos

Sempre me incomodou o testemunho de meus amigos ou conhecidos acerca de suas decepções paternais. Essa constante acabava por sempre me convidar a desenvolver teorias sobre o assunto, ou ao menos a refletir sobre ele. Não nego aqui a existência de conflitos maternais. A psicologia e seus derivados nunca me perdoariam se assim o fizesse, e todos bem sabem de minhas necessidades terapêuticas. Canto sempre com conhecimento prático a estrofe “fix me in forty-five”. “But I digress”.

Esse meu incômodo também me levava a alertar meus amigos do sexo masculino. Acho de extrema importância evitar repetir certos padrões que nos são legados por nossos educadores. Aliás, acredito que isso seja de extrema importância para meus amigos de ambos os sexos, que fique claro. Talvez uma porcentagem da singularidade de cada ser seja realmente aquilo que não saberia como nominar corretamente que acrescentamos à existência de nossos pais. Que não sejamos em vão, lhes rogo.

Abordo esse assunto não por necessidade de protestos, nunca fui de palanques ou de passeatas (entendo bem Sabina nesse ponto), e sim porque há pouco tive uma reflexão sobre o assunto cuja conclusão não sei ainda ser útil ou não. E é essa indecisão que precisa ser desfeita. Portanto, não se acanhe: isso se trata sim de um julgamento.

Decepções são brutais. Esta atribuição acredito ser correta. Fico em dúvida entre necessário e natural. Não sei bem dizer se decepção é um ou outro. Ou ambos. O que importa é que decepção é apenas o desencontro entre expectativa e fato. E é essa idéia que me faz questionar minha última decepção de origem paternal. Eu explico. Não posso negar a decepção (não importa aqui seu esclarecimento) que sofri com meu pai. Mas posso questionar sua estrutura. A minha decepção não se dá pelo desencontro entre a minha expectativa em relação ao meu pai e como ele realmente agiu. E isso não se dá por que minha expectativa em relação a meu pai é exatamente o modo como ele se portou. Eu entendo as suas limitações como ser humano. E esse entendimento se dá na minha reação racional. Mas não posso dizer o mesmo sobre o meu entendimento emocional, porque a decepção ocorreu quando, racionalmente, não deveria ter ocorrido. E se ela ocorreu foi porque alguma expectativa minha não foi alcançada. E esse é o ponto central de toda a reflexão: essa expectativa que se esconde em algum lugar em mim. Talvez ela seja a expectativa que todo filho tem em relação aos pais. Algum tipo de formulação sobre o que seriam pai e mãe ideais, e como estes deveriam agir corretamente.

Essa expectativa, ao que me parece, existe e é bem real. O que me faz pensar também que existe em todos, não só em mim. Me faz pensar que existe também em meu pai e em minha mãe. Me faz pensar que, na verdade, nenhum lado está realmente preparado para entender a responsabilidade dessa expectativa. E é essa despreparação que me faz pensar em não ter filhos. O que eu admito ser uma covardia, porque não ter filhos não é uma solução. Não é um enfrentamento ao problema. Não ter filhos é nada mais do que uma fuga. E na fuga não existe a possibilidade de falha. Mas nela também não existe a possibilidade de êxito. Acho mesmo que sou uma inversão absurda de meus conceitos, porque “for an optimist, I’m pretty pessimist”.

sábado, 20 de junho de 2009

Momento de Descontração

Só pra enrolar mais um pouco o término de meu resumo de História Antiga I, e ignorando totalmente o fato de que não passo por aqui há séculos, decidi compartilhar um momento divertido de minha vida.
Tem um dicionário on-line - o Priberam - que eu sempre uso, e no site tem uma janelinha que, semelhante ao sorte de hoje do Orkut, sempre mostra palavras aleatórias e seus significados. E eu acho isso muito digno. Tão digno que sempre paro pra ler a palavra do dia. E a de hoje foi um pouco sensacional pra mim porque... Bem, porque foi e porque eu sou eu, né. Vou primeiro postar o conceito aqui e depois explicar minha abstração.

xenartro
(latim científico Xenarthra)
adj.
adj.
1. Zool. Relativo ou pertencente aos xenartros.
s. m.
1. Zool. Espécime dos xenartros.

xenartros
s. m. pl.
3. Zool. Subordem de mamíferos desdentados que compreende as preguiças, os tamanduás e os tatus.


Só porque ontem eu estava falando pra quem quisesse ouvir que o bicho de estimação dos meus sonhos é a preguiça. Nem dente ela tem, minha gente, pra perder tempo mastigando a comida. Ahazzou horrores. Adoro essas pequenas coisas da nossa vida que parecem se conectar por um fio invisível que entidades gregas tecem sem a gente perceber. É esse olhar desatento pra essas coisas que precisa morrer. Falei.





Ps. Tive que editar esse post porque acabei de encontrar a coisa mais linda do mundo!
Carta de Aniversário

sábado, 21 de março de 2009

(a)Nexo

Difícil é a decisão de como começar a contar uma história. Desde as minhas primeiras experiências de produção textual, a poética (mas não menos desgastante) indecisão era erroneamente traduzida na proposição “difícil é a primeira frase”. Agora sei que não se trata realmente de com quais palavras iniciar uma história, mas sim da onde começá-la.
Eis que me encontrei, felizmente não por muito tempo, agora pouco nessa situação. Eu deveria ir direto ao assunto, mas temo admitir que uma das coisas que mais me divertem nessas aventuras textuais são as divagações absurdamente prolixas que se intrometem nas minhas introduções. Na minha opinião, dá uma certa ilusão de surpresa. Você começa o texto achando que eu vou falar de Lost, e eu acabo falando sobre o que me aconteceu quando eu estava na metade de um cigarro, na parada de ônibus. Ou então você simplesmente não perde seu tempo tentando adivinhar sobre o que eu vou escrever.
De qualquer modo, prefiro começar pela minha estante. Desde que me mudei pro Rio, venho pedindo a minha avó que coloque algumas prateleiras no meu quarto pra que os meus livros possam ficar todos juntinhos no mesmo lugar e, o mais importante, pra que eu possa de vez em quando me maravilhar com a quantidade de livros que eu tenho. Algo bem pseudo-intelectual, eu admito. Mas em minha defesa ouso apenas dizer que eu sinceramente gosto de ler (e é um gostar bem Felicidade Clandestina, que dá aquela vontade de ficar agarrada ao livro e não deixar ninguém tocar). E, por gostar de ler, eu actually leio.
Estava eu há uns dez minutos atrás (ou mais, nunca se sabe o quanto uma introdução como essa possa ter me afastado de meu momento de inspiração) guardando na prateleira meu livro Iniciação à história da filosofia, do meu professor Danilo (insira um barulho de tiete aqui), o qual eu precisei consultar, porque ler (e entender, principalmente) Wittgenstein não é uma coisa fácil de fazer. Ao colocar o livro de volta na estante, eu me deparo com uma pequena coleção chamada Conceitos da psicanálise. É uma coleção de mais ou menos uns oito ou nove livrinhos, que eu comprei na banca, sobre psicanálise (pelo título esse meu comentário talvez seja um tanto quanto redundante – agora quem é obcecado por Gilmore Girls aí diz duas vez it’s repetitive and redundant).
Fiquei curiosa quanto a ordem de leitura dos livros. Procurei ver se eles tinham algum tipo de numeração. Peguei então o primeiro exemplar, Afetos e Emoções. So far, nenhum número aparente. Mas então, ao folhear rapidamente o livro em minhas mãos, eis que cai de dentro um pedaço de papel azul, desses de bloquinhos que se colocam ao lado dos telefones para anotar recados, com um pequeno texto escrito (anexado no fim desse texto), julgando pela caligrafia, por mim. E eu leio e não me lembro por que ou sobre o que escrevi. E é aí que me vem a estranha sensação de que existem pessoas diferentes na gente. Pessoas que se separam com o tempo. Pessoas que mudam ao ponto de, se não for pela nossa memória ou algum registro que sirva como uma, serem completamente diferentes uma da outra. E eu me arrepio ao pensar na linha que passa por todas essas pessoas e as costuram numa mesma existência. O filósofo sentado no escuro de nosso quarto se pergunta: qual será o peso de minha linha quando não houver mais o que costurar?


Anexo:

Eu andei por aí, esperando conhecer você. Desde a primeira vez que meus olhos lhe viram, até hoje, espero para conhecer você. Mesmo com os milhares de segundos que eu tive de você somados a esses minutos desligados. O seu verdadeiro Eu. Atrás das palavras e dos olhares. Eu andei por aí. E eu sei que a vida que lhe faz existir é mais vida aqui. Desde a última vez que meus olhos lhe viram, até hoje, a sua vida é mais vida aqui do que com você. Mesmo sem saber de você, vive bem aqui, e não aí. Eu não sinto muito, meu amor. Eu odeio você.

domingo, 1 de março de 2009

Meu nome é Lucille

Pensar na condição humana é coisa de pseudo-intelectual. Na verdade, isso é apenas a manifestação de um preconceito meu. A única coisa que me parece ser pseudo nessa frase é a expressão “condição humana”. Porque pensar nela é algo de que geralmente não podemos fugir, mas a verdade é que nunca fazemos isso de um jeito tão universal assim. Não consigo me ver refletindo sobre o que nos faz ser o que somos e agir como agimos sem algum tipo de ponto de partida inserido no meu contexto histórico. Acho super possível ver alguém como Mircea Elíade fazendo algo do tipo, mas convenhamos: ele tem as ferramentas e títulos acadêmicos necessários para fazer isso, e fazer com classe, eu devo acrescentar. Sendo assim, peço que entre no meu jogo. Ele é simples e divertido de se jogar. Imagine uma cidade, ou seja lá o que Guapimirim for. Imagine Guapimirim, e, ali perto, imagine um condomínio. Neste condomínio, me imagine numa casa de madeira, deitada num sofá, perto da lareira. Imagine também uma cantora. Adicione agora a esse quadro o nome dela: Regina Spektor. Ouvindo Pavlov’s Daughter, eu penso no espaço incomum entre meu corpo e o teto da sala. Há aí nesse espaço muito mais do que a nossa vã condição humana pode conceber, mas que ela surpreendentemente agüenta. A aventura dura mais de sete minutos e eu penso em outra coisa: that’s how music should sound. Esse comentário alheio me volta à lembrança pra consolidar a inegável verdade que propõe. Ou que espelha a inegável verdade que a música carrega em si mesma. O que você preferir, isso não vai afetar o jogo. E já não importam as pessoas passando por mim e se maravilhando com a possibilidade de alguém se divertir sozinho como eu me divirto ali, imaginando até que eu devo sofrer de algum distúrbio mental que explique esse tipo de autismo recreativo. Mas esse tipo de recreação não define quem você é. Define apenas o momento.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Arquétipos

E já procuravas a saída mais próxima de teus limites, eu bem sei. Pensavas que os guardiões não estariam em seus postos, velando qualquer indício de violação de tua parte. São nove voltas ao redor da lama sagrada que te levarão daqui. E te peço que não me sigas. Deixe-me em paz, pois eu volto aqui, onde enterrei todos os meus mortos, para cumprir os rituais necessários para que tu não te tornes como ele. Verei as coisas destituídas de seus valores, e perderei tudo que possuo, pois assim é preciso para que esqueçam tuas faltas. Aqueles que me amam me negarão. Aqueles que me odeiam se multiplicarão. Toda fé será testada. Assim como tua falha caiu sobre mim, a minha cairá sobre os ombros do próximo, e assim será até que todas as ofensas sejam reparadas. Então, onde a luz se esconde, nossos ancestrais cantarão novamente os mantras que ensinaram ao primeiro homem esquecidos por nós.